
Arco clássico
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O arco clássico: modalidade olímpica e prática de precisão
O arco clássico, também chamado de arco recurvo, é a única modalidade de tiro com arco presente nos Jogos Olímpicos desde 1972. Esta disciplina assenta num equipamento específico: um riser central (o punho) ao qual se encaixam dois braços cujas extremidades se curvam para a frente, o que caracteriza o arco recurvo. Esta curvatura não é apenas estética: armazena mais energia do que os braços retos com um comprimento equivalente e devolve essa energia à flecha de forma mais regular.
Ao contrário do arco de roldanas ou do arco tradicional nu, o arco clássico permite a utilização de uma mira, de um estabilizador e de um botão de pressão (plunger). Este quadro regulamentar definido pela World Archery estrutura a competição a todos os níveis, desde o clube até ao pódio olímpico.
Arco clássico desmontável ou monobloco: qual escolher?
A grande maioria dos arcos clássicos vendidos atualmente são desmontáveis: os braços desmontam-se do riser em poucos segundos. A vantagem é concreta. Um principiante que começa com braços de 26 libras pode, seis meses depois, simplesmente comprar braços de 32 libras e manter o seu riser. Ele progride no peso de tração sem ter de comprar um arco completo. Os arcos monobloco ainda existem, nomeadamente nas gamas de iniciação de gama muito baixa, mas não permitem esta evolução.
O peso de tração é medido em libras (lbs) a 28 polegadas de comprimento de tração. Para um adulto iniciante, 20 a 28 lbs são amplamente suficientes. Uma arqueira experiente em competição feminina dispara geralmente entre 34 e 38 lbs; um homem entre 40 e 46 lbs. Disparar com um peso demasiado elevado demasiado cedo gera defeitos técnicos que demoram anos a corrigir.
Comprimento do arco e comprimento de tração: os parâmetros que realmente importam
O comprimento de um arco clássico é medido em polegadas, de acordo com a norma AMO. Os tamanhos mais comuns são 66″, 68″ e 70″. Uma regra prática: divide a tua envergadura (braço esticado da esquerda para a direita, dedos incluídos) por 2,5 para obter o teu comprimento de tração. Um comprimento de tração de 28″ com um peso de tração confortável corresponde geralmente a um arco de 68″.
Optar por um arco de 66″ apenas porque é mais barato ou mais compacto resulta numa corda com um ângulo de tração mais fechado, o que aumenta a pressão sobre os dedos e torna a mira menos estável. Trata-se de um compromisso que faz sentido para jovens arqueiros com menos de 1,65 m ou para facilitar o transporte, mas não por questões de orçamento.
As marcas de referência para escolher um arco clássico
O mercado é dominado pelos fabricantes coreanos. Win&Win (Coreia do Sul) produz os braços Wiawis utilizados por campeões olímpicos desde os anos 2000. Hoyt (fundada nos Estados Unidos em 1931) oferece risers Formula em alumínio usinado que continuam a ser uma referência na competição internacional. Para orçamentos intermédios, as marcas Cartel e WNS oferecem uma sólida relação desempenho/preço entre 200 e 500 €.
Para os principiantes, o Samick Sage, a cerca de 120 €, continua a ser uma das opções de gama básica mais fiáveis dos últimos vinte anos. Suporta bem a substituição de braços e os primeiros ajustes. A evitar nesta faixa de preço: os arcos sem marca identificável vendidos em plataformas de comércio eletrónico genéricas, cujas tolerâncias de fabrico tornam impossível diagnosticar a progressão.
A Uukha, fabricante francesa fundada em 2004, ocupa um lugar à parte: as suas hastes de carbono são utilizadas por arqueiros de elite que, por vezes, lhes criticam uma recuperação muito rápida, mas elogiam a regularidade da flexão de um tiro para o outro.
Como progredir com um arco clássico: os critérios de escolha concretos
- Força de tração: começar entre 20 e 28 lbs para um adulto, aumentar em incrementos de 2 lbs a cada três a seis meses, de acordo com a prática real
- Riser: dar preferência a um riser de alumínio com janela de tiro já recortada (cut-past-center) para os braços intermédios e superiores
- Corda: uma corda de Dacron (poliéster) é adequada para braços de madeira e fibra de vidro; os braços de carbono requerem uma corda FastFlight ou Dyneema (menor alongamento, maior transferência de energia)
- Espinha da flecha: a rigidez da flecha deve corresponder ao peso de tração e ao comprimento de tração — uma flecha demasiado flexível ou demasiado rígida desvia-se sistematicamente, independentemente da técnica do arqueiro
Arco clássico para principiantes ou para competição: que orçamento prever?
Um kit completo para principiantes (arco + 6 flechas + aljava + protetor de braço) custa entre 150 e 250 €. É suficiente para começar num clube, confirmar que a prática é sustentável e não se arrepender de um investimento prematuro. Um equipamento intermédio com riser de alumínio, braços de carbono/madeira e acessórios básicos de competição (mira, rest, plunger) custa entre 400 e 800 €. Ao nível federal e acima, os risers isolados (Hoyt Formula, Win&Win Inno) ultrapassam frequentemente os 500 €, os braços de carbono de alta modularidade os 300 a 600 €, e os acessórios (estabilizador longo + laterais, amortecedores, mira micrométrica) acrescentam mais 300 a 800 €.
O arco clássico não é um equipamento estático: é um sistema modular que evolui com o nível do arqueiro. Comprar um riser de qualidade desde o início e progredir nas hastes é quase sempre mais económico ao longo de cinco anos do que comprar arcos completos a cada progressão.

